Alfabetização

A alfabetização não é um processo natural, como pensam alguns. É um processo sistematizado, que consiste em uma decodificação de símbolos, e isso deve ser aprendido pelos pequenos. Para que isso ocorra, é necessário que a criança desenvolva uma série de habilidades que estão diretamente ligadas ao processo de aquisição da linguagem escrita e isso ocorre no período da primeira infância.


Uma dessas habilidades é o desenvolvimento da linguagem oral. A criança, desde a tenra idade, busca comunicar-se e, para isso, começa a apontar, balbuciar, tocar, nominar objetos, até se aperfeiçoar e conseguir verbalizar suas vontades e emoções. Essa é uma parte fundamental do processo de alfabetização, por isso, é necessário grande estímulo e bastante incentivo nessa área. A tão mencionada roda de conversa se faz presente no cotidiano escolar exatamente por isso: o teatro, as brincadeiras, os momentos de leitura e discussão são manifestações que incentivam o aumento do repertório da criança. Logo elas percebem que a conversa faz parte da socialização e o ato de se comunicar torna-se indispensável em suas vidas.


​A comunicação, além de se dar por meio de diálogos, também acontece através da escrita, e os pequenos que vivem rodeados por palavras, informações, placas, revistas, livros, celulares, já estão inseridos nessa cultura, em um mundo letrado, consequentemente, eles têm a necessidade de fazer parte desse contexto e começam a se interessar pela escrita, ou seja, uma escrita “não formal”. Tudo isso se torna incrivelmente parte de quem ele é, e de quem ele precisa ser para sentir-se pertencente a sua cultura e sociedade.


​Para que as crianças consigam adquirir a linguagem escrita, é preciso planejar um ambiente alfabetizador, no qual as palavras terão significado e uso em sua rotina. Na escola é necessário que o professor identifique os níveis de hipótese de escrita em que cada aluno se encontra, para poder oferecer atividades específicas para cada um, de acordo com suas necessidades, além de organizar um trabalho didático com situações indispensáveis no dia a dia da sala de aula, como, por exemplo: ler para os alunos, fazer com que eles leiam mesmo sem saber ler, assumir a função de escriba da turma para produção de textos orais e promover situações que permitam que cada um deles escrevam.


Todas essas ações são importantes, fazem parte de um processo, pois a alfabetização caminha junto com o letramento. E o que isso quer dizer? Quer dizer que as crianças precisam, além de decifrar o código, entender para que ele serve, e o uso da escrita em diferentes situações e contextos, apropriando-se da função social dela.


Sabemos que poder ler, isto é, compreender e interpretar diferentes tipos de textos em diversas situações com diferentes objetivos, contribui para a autonomia das pessoas, como afirma Solé (1998). Dessa maneira, o professor deve ser um mediador de todo esse processo, contribuindo ativamente com o aluno durante suas descobertas e tratando-o como o protagonista de sua história para que a alfabetização seja um processo feliz, leve e prazeroso para a criança.

Referências:

ORNELAS VALLE, Maria de Jesus. A FORMAÇÃO DO LEITOR COMPETENTE Estratégias de Leitura, (s.d) acesso em: <artigo_maria_jesus_ornelas_valle.pdf>

SOLÉ, I. Estratégias de leitura. Porto alegre: Artes médicas, 1998



Brunna Durais Guarizo

tem 25 anos, é pedagoga, pós-graduada em alfabetização, e leciona no Colégio Atibaia.

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