O Ensino da Arte na Educação

As mudanças no ensino da Arte foram muitas ao longo dos tempos, por isso muitas pessoas ainda carregam uma ideia equivocada da Arte na educação. É muito comum acharem que a aula de Arte é pra fazer o presente de dia das mães, as decorações das festas da escola, pintar na o saci, fazer um porta lápis... mas, não! O que acontece é que um dia foi assim.


O ensino da Arte no Brasil é introduzido em 1826 com a Academia Imperial de Belas Artes, a ideia era preparar para o trabalho, porém era uma escola para a aristocracia e esse estudo era considerado um luxo. Em 1870 começa o ensino do desenho na escola, os desenhos eram classificados em vários tipos e era uma necessidade da época pois é o início da industrialização brasileira.


Em 1971, o ensino da Arte foi incluído no currículo escolar pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação com o nome de Educação Artística, ainda como “atividade educativa” e não como disciplina. Esse fato é o gerador da frase “arte não reprova”. A arte foi reconhecida como disciplina em 1996 com a nomenclatura “Artes” e tornou-se obrigatória nos mais diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.


A BNCC, Base Nacional Comum Curricular, é um instrumento de referência dos conhecimentos indispensáveis a todos os alunos da educação básica, foi finalizada em 2018 e traz a Arte como componente curricular da área de linguagem e está centrada nas linguagens da música, do teatro, da dança, das artes visuais e das artes integradas. Mas, de fato, a principal mudança está no conceito que coloca os alunos como sujeitos e protagonistas no ensino da Arte. Além de participar na definição dos temas a serem tratados, os alunos devem ter liberdade para explorar sensibilidade, criando com o auxílio e incentivo do professor.


A BNCC traz também seis dimensões do conhecimento para o ensino da Arte, que devem ser articuladas com os saberes, são elas: criação, crítica, estesia, expressão, fruição e reflexão. A criação acontece por meio de representações de ideias, desejos, sentimentos... A crítica tem o propósito de permitir a formação e articulação de um pensamento próprio sobre qualquer tema ou assunto, sempre partindo de um estudo de diferentes manifestações artísticas. A estesia é o contrário da anestesia, ou seja, é o sentir! É o protagonismo das emoções e experiências artísticas, promovendo o conhecimento de si, do outro e do mundo. A expressão é a oportunidade de exteriorizar criações por meio de processos artísticos. A fruição é a oportunidade de sensibilizar, é o contato com as práticas artísticas e culturais diversas. A reflexão é o aprofundamento na construção do conhecimento e de um posicionamento sobre os processos vividos.



Será que dá para mensurar a importância da Arte na educação? Uma coisa é certa: a Arte é a linguagem mais natural e espontânea dos seres humanos, pois antes de falar e escrever, o homem desenhava, pintava, dançava, usava toda sua expressão corporal e fazia música.



Meu nome é Carla Bonini, sou arte-educadora, trabalho no Colégio Atibaia e na rede municipal de ensino.


Já trabalhei como professora de Arte em todos os níveis da educação. Fiz parte da equipe técnica da Secretaria Municipal de Educação durante sete anos como coordenadora da área de Arte e formadora de professores.


Acredito na Arte como ferramenta para a Educação pois ela permeia todos os conteúdos.

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