Puberdade!

Olá pessoal, tudo bem? Meu nome é Valéria Grisolia de Freitas, sou médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia CRM 94620-SP e hoje estou vindo conversar um pouco com vocês sobre um assunto que preocupa todos os pais: a puberdade.


“Quando devo me preocupar com o desenvolvimento da minha filha? Será que ele está acontecendo na hora certa e de forma correta? A altura da minha filha está adequada para a idade ou preciso fazer algo? Minha filha menstruou pela primeira vez, estou achando tão cedo...” essas são perguntas que povoam a cabeça dos pais e com informações simples, é possível respondê-las e alertá-los para qualquer intervenção necessária.


Puberdade precoce

A puberdade é considerada a fase da vida onde ocorre a transição da infância para a vida adulta. Nessa fase é normal acontecerem várias transformações tanto físicas quanto psicológicas, até que esse indivíduo complete sua capacidade de reproduzir.


Nas meninas, as transformações que mais se destacam são o crescimento das mamas, aparecimento dos pelos, principalmente no púbis e na região genital, a aceleração do crescimento ou o famoso estirão do crescimento e a primeira menstruação, que em termos médicos, chamamos de menarca.


Quando a puberdade acontece de forma fisiológica, ou seja, de maneira natural e correta, ela ocorre entre os 8 e os 13 anos de idade, evoluindo numa sequência ordenada de acontecimentos que geralmente duram um período médio de 4,5 anos.


O primeiro sinal da puberdade nas meninas, em 80% dos casos, é o aparecimento do broto mamário, que se caracteriza pelo crescimento de um tecido abaixo do bico do seio. Ao mesmo tempo, inicia-se o aparecimento dos pelos genitais e pubianos, que no começo são longos e finos. Conforme a puberdade evolui, as mamas vão crescendo e mudando de formato, ao mesmo tempo que os pelos aumentam em quantidade e vão se tornando mais grossos, escuros e encaracolados. O aumento das espinhas e mudança do odor axilar também são muito comuns nessa fase. Esses eventos acontecem de forma contínua, até que o corpo dessa menina fica com o aspecto final de um corpo de mulher adulta.


Enquanto tudo isso está acontecendo, a menina começa a crescer de forma mais intensa, ganhando cerca de 20% da sua altura final exatamente nessa fase. O estirão de crescimento em meninas normalmente dura 3 anos e atinge seu pico máximo 2 anos após o aparecimento do broto mamário.


Essa evolução é toda coordenada e para facilitar seu acompanhamento, o médico utiliza uma escala, que o auxilia a identificar qualquer falha ao longo dessa transformação.


Quando a puberdade começa fora desse período preestabelecido, consideramos que algo está errado no desenvolvimento puberal dessa menina, sendo necessária investigação das possíveis causas e muitas vezes tratamento para interrupção desses eventos.


Portanto, se uma menina começa a apresentar qualquer um desse sinais (aparecimento do broto mamário, pelos pubianos e genitais, estirão de crescimento ou mesmo a primeira menstruação) antes dos 8 anos de idade, isso deve ser considerado um sinal de alerta aos pais de que algo está acontecendo fora de hora, merecendo atenção e avaliação profissional.

Como as causas de puberdade precoce são várias, desde tumores produtores de hormônios até a exposição a substâncias externas que descontrolam os hormônios (plásticos, solventes, pesticidas, cosméticos e fitoestrogênios, como as isoflavonas), uma investigação detalhada deve ser realizada pelo médico.


Desde o histórico familiar detalhado, exame físico minucioso, até exames de sangue como dosagem de hormônios e de imagem como raio-X de idade óssea e ultrassonografia pélvica, fazem parte dessa investigação para que o melhor tratamento seja proposto para cada caso.

O tratamento da puberdade precoce tem vários objetivos, tanto clínicos quanto psicológicos. Ele pode regredir ou mesmo estabilizar as transformações que já aconteceram, evitando assim, desproporções corporais e problemas emocionais tanto para a criança como para os pais.

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Fonte: Tratado de Ginecologia/Manuel João Batista Castello Girão, Edmundo Chada Baracat, Geraldo Rodrigues de Lima, editores associados Afonso Celso Pinto Nazário...[et al.]. – 1. Ed.- Rio de Janeiro : Atheneu, 2017.



Valéria Grisolia de Freitas

Médica especialista em Ginecologia e Obstetrícia

CRM 94620-SP

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