ROTINA DE ESTUDOS

Quando se tem filhos em fase escolar e o assunto é “rotina de estudos”, logo me vem à mente a imagem do malabarista equilibrando agitadamente seus pratinhos.


Sou Gabriela Balbino, mãe da Mariana (7. ano) e da Beatriz (5. ano), e vim compartilhar ideias e reflexões sobre este lado malabarista que todos nós desenvolvemos frente à rotina dos nossos filhos.


Mas, afinal, o que significa ter uma rotina de estudos?


A rotina é um hábito.


Ela se inicia como um “combinado” que, com o passar do tempo, a criança vai visualizando e esquematizando o funcionamento do dia: hora de escola, hora de descanso, hora de cuidados pessoais etc


Então, dentro de 24h, o que faz a “roda girar” é a soma destes pequenos processos, ou até, a soma de pequenas rotinas.


Ter um dia a dia organizado traz segurança, autonomia e menos ansiedade para a criança, de tal forma que ela passa a ser capaz de organizar, por conta própria, os afazeres dentro do tempo que tem disponível.


É um grande aprendizado sobre cumprimento de responsabilidades, desenvolvimento da gestão do tempo e escolha de prioridades. E esses elementos são levados para a vida adulta.


Em casa, sempre repassamos a “rotininha” (como chamamos!) no dia anterior, e vejo o quanto isto já faz parte da vida das meninas, pois elas próprias já conseguem ter uma noção do dia seguinte e se organizam para tal.


Então, há um lado muito importante no desenvolvimento deste hábito que ultrapassa a ideia de que a rotina é algo entediante e rígido.


Ao contrário, é também um grande exercício de flexibilidade, pois imprevistos acontecem e a criança vai aprendendo a lidar com essas situações, sem que isso seja visto como um peso ou um grande transtorno.


Ouso dizer que a flexibilidade é a alma do sucesso da rotina.


Afinal, se um pratinho do malabarista cai, o show não pode parar! Se algo fugir do planejado, muda-se a programação e o dia segue. E tudo isso com calma e paciência (e dá-lhe paciência!), pois sempre tem aquela dor de barriga na hora de sair para a escola; aquela máscara que esquecem de pegar (e foi falado para ficar já separada...); aquele livro que ficou para trás...


Assim, vejo que é importante ter um momento definido para realizar cada tarefa, respeitando-se o ritmo de cada um, mas ter flexibilidade é essencial... e isto é para a vida toda, deles e nossa.


A participação na rotina escolar é um momento de parceria e cumplicidade com o filho. É uma demonstração de que o dia a dia dele é importante e, sentindo-se importante, a criança melhora sua autoestima e autoconfiança.


E a participação se dá de diversas formas: motivando a realização da lição de casa (nada de visão romantizada: às vezes a lição de casa só sai debaixo de ordem... quem nunca...); perguntando sobre as novidades do dia (criança gosta de contar o que aprendeu, com quem conversou, o que aconteceu ao longo do dia); participando dos eventos da escola (comemorações; reuniões); proporcionando um local de estudo tranquilo e organizado (longe de distrações como tv, música, vídeo game).


Em casa, fazemos da seguinte forma: como elas estudam de manhã, ao chegarem da escola, elas almoçam e descansam por meia hora (o combinado que não sai caro...). Depois, já fazem a lição de casa ou estudam para a prova e encerram o dia com alguma atividade extra, banho e cama! Cientes desta sucessão de eventos, elas também se planejam. Um planejamento que foi aprendido e virou hábito.


Em conclusão, a rotina escolar é um dos primeiros contatos que a criança tem com a vida social, tornando-se um importante aspecto no desenvolvimento da sua autonomia, autoconfiança, além de trazer segurança, senso de responsabilidade, gerenciamento de tempo e escolha de prioridades.


Mas... o que funciona numa casa, ou o que funcionou na nossa criação, pode não funcionar para outro ou para nós mesmos, porque não existe um padrão.


Seria impossível desenhar uma “tabela universal de rotinas” e o caminho seria apenas seguir esta tabela. Mas sabemos que não é por aí...


Assim sendo, concluo esta reflexão com um aprendizado que tenho levado para a minha vida: amar minhas escolhas. Criar uma rotina responsável, mas também prazerosa e que funcione na minha casa. E fazer do dia a dia algo organizado, mas com flexibilidade. E seguir assim, equilibrando pratinhos!



Gabriela, Mariana e Beatriz

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