Saúde mental - Janeiro branco


Olá ! Sou Cristiane Garcia e tenho o maior prazer em escrever para este blog sobre um assunto que muito me interessa e acredito que o tema está muito mais atual e menos velado como alguns anos atrás.


A ansiedade , a depressão e tantos outros transtornos mentais estão cada vez mais sendo falados, descobertos , diagnosticados e abrindo uma discussão podemos desmistificar o que acontece de fato com as pessoas que sofrem desses distúrbios.


A pandemia foi um gatilho para muitas pessoas provarem o gosto amargo das angústias, da ansiedade e alguns sentimentos que nunca haviam antes provado. Foi um momento de incertezas, medos, angústias que levaram a mente sofrer e o corpo junto padecer.


Os transtornos mentais até pouco tempo eram polêmicos , com meias verdades e vistos como tabu. Eu quero que o leitor deste blog entre um pouquinho neste universo e entenda que a doença vem acompanhada com muita angústia, dor, inquietude e muita emoção. Mas que também possam entender e vibrar com a regressão dos sintomas com o tratamento adequado.


Estamos numa evolução relacionada a cura da mente.


Pessoas que sofrem com qualquer que seja o distúrbio percebem que sua vida muda bruscamente de rumo - e essa mudança é sempre para pior.


Acho que para começar a ser verdadeira na minha escrita preciso contar a minha história.


Eu desde criança muito pequena sou ansiosa. Porém naquela época de 70 a ansiedade não era tão conhecida, não se via a ansiedade como um problema que causava malefícios ! Meus pais não entendiam que a minha ansiedade era sim um problema que podia ter sido levado a sério e talvez não se manifestasse de forma generalizada na vida adulta. Faltava informação.


Para muitos a ansiedade era um sentimento normal. Existe sim a ansiedade normal, aquela que temos um frio no estômago, na espera de algo, numa prova, enfim. Mas a ansiedade se torna doença quando ela fica pesada.


Eu recordo que desde pequena eu era muito ativa, impaciente, me entediava facilmente e sempre estava insatisfeita. Queria uma coisa hoje e quando ganhava já almejava outra em seguida. Isso parecia uma forma de preencher um vazio que já existia na minha infância.


Hoje eu consigo entender assim.


Tive uma infância e adolescência absolutamente normal, um lar amoroso e não atribuo a ansiedade como o meio em que vivi. E sim, com algum mecanismo do meu corpo, da minha mente que não estava funcionando bem.


Junto com a minha ansiedade veio o perfeccionismo, as manias de limpeza, arrumação exagerada, tudo deveria sair como eu desejava. Parecia para os outros algo muito positivo, mas para mim era mais doloroso pois eu não suportava nada que não estivesse impecável. E para tudo estar impecável gasta-se muita energia mental e física.


A minha ansiedade tornou-se doença mesmo ( tag ) na vida adulta. Os primeiros sintomas começaram a aparecer e incomodar com as minhas faltas de ar. Foi aí que fui em busca de todos os médicos para entender o que estava acontecendo.


Até que tive minha primeira crise de pânico, que veio para dar o diagnóstico que eu tanto buscava : síndrome do pânico ( que nada mais é a ansiedade quando chega no limite ).


As crises foram recorrentes até procurar com muito custo ajuda profissional. Resisti muito procurar um psiquiatra, por preconceito. Demorei aceitar, demorei começar o tratamento. Comecei e parei diversas vezes !


Depois de tanto brigar entre ficar bem e mal percebi que chega. Estava na hora de parar com essa teimosia de querer dar conta sozinha da ansiedade que estava fora do meu controle.


Fiz todo tratamento, ainda vou as consultas e entendo que tenho que levar a sério a minha ansiedade, pois ela não é uma sensação gostosa, pelo contrário.


Eu hoje vou levando a vida aproveitando um dia de cada vez. Aprendi isso na dor.


Que possamos ser mais empáticos uns com os outros.

Juntos somos mais fortes, a ideia é ninguém soltar a mão de ninguém.


E o mais importante é abrir a mente, não ao preconceito, buscar informação e aceitar aquilo que não conseguimos mudar sozinhos.


DICAS DE LEITURA


Mentes ansiosas

Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva















Janelas da mente

Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva















VEJA TAMBÉM o assunto na matéria abaixo:

https://g1.globo.com/educacao/enem/2020/noticia/2021/01/17/redacao-do-enem-2020-e-o-estigma-associado-as-doencas-mentais-na-sociedade-brasileira.ghtml


por Cristiane Garcia

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