TERRORISMO NUTRICIONAL – VOCÊ NÃO PRECISA SER VÍTIMA

Vivemos nos dias de hoje um grande terrorismo nutricional. Isso é fato. As redes sociais e a internet facilitaram muito a comunicação e o acesso às informações (verdadeiras ou não), o que colabora ainda mais com esse terrorismo.


Basta abrirmos nossas redes sociais! São dietas de todos os tipos! São inúmeros “milagres” vendidos pra todo lado. São fotos de corpos esculturais, sempre no melhor ângulo. Fotos que “mostram” o quão vencedoras, bem sucedidas e realmente incríveis são aquelas pessoas que “tem força de vontade” para chegar a essa tal “perfeição”. Essas dietas viram status, são “dignas” de “selfies”. O alimento vira apenas ferramenta para se chegar à estética “perfeita” do padrão de beleza que nos fazem engolir.


Não estou aqui fazendo crítica aos hábitos alimentares saudáveis. O que questiono aqui é outra coisa. Será mesmo que precisamos fazer dietas restritivas? Será mesmo que essas dietas funcionam e tem resultados duradouros? Será que precisamos viver em função da nossa dieta? Será que precisamos correr atrás dessa “perfeição”? Será que essa perfeição realmente existe?


As coisas estão caminhando de uma forma que comida deixou de ser comida. Existe uma dicotomia entre alimentos “do bem e do mal”. “Que absurdo comer um pedaço de pizza!”. Se não existe nenhuma restrição alimentar REAL, qual o crime?


Outro dia estava me lembrando e contando para minha filha de um pão caseiro que minha avó fazia! Lembrei dele saindo do forno na casa da minha avó e de quando o comia ainda quentinho saindo até fumacinha! Quanta afetividade implícita nesse alimento. Quanto amor minha avó depositava ali. Quantas memórias incríveis tenho de minha infância com os quitutes de minha avó. E o que ela fazia era pão! E não um “carbo” com Glúten!


Cada dia mais vejo pessoas com medo de comer. Muitas vezes sentem vontade de se renderem aos modismos, e ao mesmo se sentem frustradas por não conseguirem. Até por que, o que fazem é errado. Elas não devem comer essas coisas. Deviam sentir vergonha! Não é o que todos dizem??? Quantos pacientes recebo no consultório que me contam envergonhados sobre sua alimentação! E isso traz um problema ainda maior: diminuição da autoestima.


Que tal voltarmos a pensar em comida como algo que nos traz nutriente sim, mas que também nos dá prazer e alegria, que nos aproxima das pessoas? Não estou querendo dizer aqui que devemos comer fast-food, comidas gordurosas, frituras e doces todos os dias e esquecer a importância do comer com qualidade. O que estou querendo dizer é que devemos levar isso tudo com mais leveza. Ter um equilíbrio e levar a vida sem radicalismos. Ter uma alimentação balanceada e com comida de verdade é fundamental para uma vida saudável. Comer de tudo, comer variedade, frutas, vegetais, alimentos frescos, naturais!


Nutrir o corpo sim, para ter saúde e disposição. Mas não precisamos abrir mão de tudo! Na verdade não precisamos abrir mão de nada se não tivermos uma real necessidade de restrição alimentar! Não precisamos abrir mão do brigadeiro de verdade da festa de nossos filhos, da pizza em família e nem do bolo naquele chá com as amigas! Por que além de alimentar o corpo, precisamos alimentar nossa alma! E certamente, momentos felizes fazem parte do alimento da alma! Seja o que você é com alegria! Respeite seu corpo e seus limites. Faça o que te faz feliz! Não se sinta obrigado a seguir padrões, a fazer o que todo mundo faz se isso não for o que te faz feliz e o que alimenta sua alma!


Coma de tudo! Aproveite a vida, os bons momentos, a família e os amigos! Com uma vida mais feliz ganhamos saúde também!



Dra. Carolina R. Medina

Nutricionista CRN3 13567

Pós-Graduada em Comportamento Alimentar

Especialização em Nutrição Clínica Funcional

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